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Em Pernambuco o MFP realiza debate na UFPR e levanta o tema: “O marxismo e a questão da mulher”
No dia 12 de março, quinta-feira, o MFP realizou debates pela manhã e tarde no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. O tema “O marxismo e a questão feminina” atraiu a atenção de muitas estudantes não só do curso de pedagogia, mas também serviço social, história e outros. Nos dois turnos cerca de 80 pessoas participaram do debate.
A defesa do marxismo na universidade, tão temido e repelido pelos intelectuais burgueses, ganhou uma simpatia e referência enorme pelas estudantes, que revelaram grande interesse em compreender as causas da opressão feminina e como superá-la. Todos os exemplares dos livros do MFP foram vendidos na banquinha, expressão da importância dada pelas mulheres em conhecer mais sobre a questão.
Entre as palestrantes do MFP estava presente uma companheira camponesa de quase 80 anos, de uma das áreas da Liga dos Camponeses Pobres, acampamento Riachão. Os relatos sobre a exploração que sofreu desde os sete anos pelo antigo proprietário da fazenda, que chegava a amarrar no toco com formigueiro os trabalhadores que pegassem uma mísera piaba de seu açude, indignou a todos. Muito animada e sempre divertida, a companheira contou sobre os 6 anos de luta para conquistar a terra, todos os despejos sofridos e a resistência e combatividade das massas, homens e mulheres, que em várias ocasiões colocaram pra correr a latifundiária e seus capangas. A admiração dos estudantes foi visível com o relato de organização, a farta produção do acampamento e com a recém inauguração da Escola Popular. Hoje a terra está sendo partida pela revolução agrária e saber disto alegrou muitos estudantes, que se solidarizaram e se interessaram muito em conhecer a área.
O exemplo vivo de uma mulher guerreira com tamanha experiência de vida e conhecimento da luta mexeu profundamente na consciência dos companheiros; o retorno das Ligas Camponesas ao Nordeste também deu uma perspectiva e dimensão da luta dos camponeses pobres no estado. A análise marxista sobre o problema feminino ganhou concretude com a sua presença. O caráter classista do MFP, o direito do povo de resistir contra a violência do Estado e do latifúndio, a legitimidade da luta pela revolução agrária, foi exposta com uma simplicidade e verdade incontestes pela companheira.
Ao final do debate foi proposta a criação do Núcleo do MFP na universidade, o que ganhou adesão de várias companheiras interessadas em aprofundar mais neste debate tão crucial para as mulheres do povo.