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Jana Moroni Barroso

23/01/2009

Jana Moroni Barroso

Militante do PARTIDO COMUNISTA Do BRASIL (PC do B).

Desaparecida desde 1974, na Guerrilha do Araguaia, quando tinha 26 anos.

Nasceu em 10 de junho de 1948, em Fortaleza, Estado do Ceará, filha de Benigno Girão Barroso e Cyrene Moroni Barroso.

Cursou a Faculdade de Biologia da UFRJ e aí ingressou na vida política. Trabalhou com outros companheiros, como responsável pela imprensa clandestina do PCdoB, no Rio de Janeiro.

Em abril de 1971, tendo em vista a continuidade de seu trabalho político, mudou-se para a localidade de Metade, no sul do Pará.

Nessa região, além do trabalho da roça e da caça, foi professora primária. Casou-se com Nelson Lima Piauhy Dourado (desaparecido). Era combatente do descamento A - Helenira Resende.

Sua mãe, D. Cyrene, não poupou esforços à sua procura, indo várias vezes à região do Araguaia ou recorrendo aos órgãos governamentais à procura de informações sobre o seu paradeiro.

Desaparecida desde 2 de janeiro de 1974, após ataque das Forças Armadas, quando estava em companhia de Maria Célia Corrêa e Nelson Piauhy Dourado.

Segundo depoimentos colhidos por sua mãe, Jana foi presa e levada para Bacaba, localidade às margens da Transamazônica onde foi construído um centro de torturas das Forças Armadas. Segundo os moradores da região, aí também se encontra um cemitério clandestino. Estava quase nua e com muitas arranhaduras pelo corpo. Foi amarrada, colocada em um saco e içada por um helicóptero. Isto teria se dado nas proximidades de São Domingos do Araguaia.

O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi morta em 8/02/74.



- Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.



- Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil – seção do Estado do Rio de Janeiro – outubro de 1982.



- Relatório Arroyo: "No dia 18, J., Zezim e Edinho encontraram Duda, do grupo do Nelito. Ele contou que os tiros do dia 2 tinham sido sobre o grupo em que ele estava. Disse que, depois do almoço desse dia, Nelito e Duda estavam juntos e que Cristina [Jana Morone Barroso] e Rosa [Maria Célia Corrêa] haviam se afastado por um momento. Carretel estava na guarda. Na véspera, Duda e Carretel tinham ido à casa de um morador. A casa estava vazia. Quando se retiravam viram que vinham chegando os soldados. Avisaram Nelito. Imediatamente afastaram-se do local. Mas caminharam em trechos de estrada, deixando rastros. Dia 2, Nelito tinha ido a uma capoeira apanhar alguma coisa para comer. Trouxe pepinos e abóbora numa lata grande que lá encontrara. A lata fez muito barulho na marcha de volta. Às 13:30 hs ouviram-se rajadas. Os tiros foram dados sobre Carretel, que saiu correndo. Nelito não quis sair logo. Se entrincheirou, talvez pensando nas duas companheiras. Mas os soldados se aproximavam. Então ele correu junto com Duda, mas foi atingido. Assim mesmo, ainda se levantou e correu mais uns vinte metros. Foi novamente atingido e caiu morto. Duda conseguiu escapar. Não sabe o que houve com as duas companheiras, nem com Carretel."



- Relatório do Ministério Exército: Filha de Benígno Girão e de Cirene Moroni Barroso, nascida em Jun. 48, em Fortaleza/CE. Militante do PC do B, foi para Marabá/PA em 1970. Participou ativamente da subversão na região do Araguaia/GO.



- Relatório do Ministério da Marinha:

Fev./74 - foi morta a terrorista Célia Sanches de Cristina, "Cristina" nome falso utilizado por Jana Moroni Barroso.

Nov. 74 - relacionado entre os que estiveram ligados á tentativa de implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo CC do PC do B, em Xambioá. Morta em 08/02/74.



- Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B e guerrilheira do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morta ou desaparecida no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.



- Fichas entregues ao jornal O Globo em 1996: "Angela" - "Cristina"

em 1970, era aluna do 4º ano - História Natural - UFRJ

estaria no Pará (?) - não foi localizada

pertencia ao PC do B/GB

em 07 Jan. 74 foi identificada como a "Cristina" do Dest. "A".

morta em 11 Fev. 74.



Depoimentos:

- Manchete – Rio de Janeiro 22/10/88 – nº 1905 – "Desaparecidos: Uma tragédia brasileira." Reportagem de Hélio Contreiras, Kátia Pompeu, Fábio Antônio (RJ), Elsie Rotemberg (SP) e Antenor Barreto (BA).



"...era estudante de biologia até 1971. Em 21 de abril daquele ano foi para o Araguaia, casou-se com Nelson Dourado e atuava ali como professora, na região da Metade. Ela desapareceu entre janeiro e março de 1974. D. Cirene lembra: A Jana era uma pessoa muito estudiosa, fazia parte do Grupo das Bandeirantes, foi chefe dos Lobinhos, tudo isso em Petrópolis, onde morávamos, e ela fez o curso secundário. Quando veio para o Rio fazer a faculdade, se engajou na União da Juventude Patriota (UJP). Foi então que começou a participar de movimentos políticos. Vinha e ia de ônibus para todos os lugares. Nunca foi procurada ou presa. Só foi fichada mesmo quando foi para o Araguaia: o SNI a fichou. Naquela época, eles cortavam as mãos e os pés das pessoas que estavam lá, faziam slides e levavam para Brasília. Quando a Jana foi para o Araguaia chamou a mim e o pai e disse que nós precisávamos entender, que aquele era um trabalho muito sério. Meu marido pediu que ela me levasse junto. Jana explicou que não podia e me deixou esse livro – Mãe, de Máximo Gorki -, com uma pequena cartinha, pedindo que eu só o lesse depois que ela tivesse partido. Meus outros filhos foram levá-la à rodoviária ... Eu nunca podia supor que jamais iria vê-la de novo. Mas, na carta, ela me explicava que aquela era uma questão de ideologia e talvez eu não a tivesse de volta. Fiz inúmeras viagens pelo Brasil e fui duas vezez para o exterior procurando minha filha: tinha esperança que ela tivesse ido para o Chile, mas não consegui encontrar nada. Quando fui ao Araguaia, uma ex-vizinha de Jana disse que minha filha morava em um casebre, distante dali uns 200 m, e contou que ela alfabetizou seus dois filhos. Disse que ela ensinava a fazer plantações e eles comiam cobra. Eles eram um grupo de cinco pessoas. O marido de Jana, o Nelson Dourado, era o chefe deles. Eles estavam passeando na mata quando foram surpreendidos por uma patrulha. Os patrulheiros metralharam todo o grupo, mas a Jana e uma outra moça conseguiram fugir. Essa é a história que contam lá ... Tive essas informações em 1980, mas agora quero saber toda a verdade."



Homenagens:

- Nome da antiga Rua 07, no Residencial Cosmo I, em Campinas, com início na antiga Rua 10 e término na antiga Rua 08 – Lei nº 9497, de 20/11/97. 94



- Homenageada pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ com a Medalha Chico Mendes de Resistência – 1992

 

 

Retirado do site do Grupo Tortura Nunca Mais / RJ

mfp@mfpopular.com.br