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Aurora Maria Nascimento Furtado

Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
Nasceu em 13 de junho de 1946, em São Paulo/SP, filha de Mauro Albuquerque Furtado e Maria Lady Nascimento Furtado.
Morta aos 26 anos de idade, no Rio de Janeiro.
Estudante de Psicologia na Universidade de São Paulo, era a responsável pela imprensa da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, com ativa militância no movimento estudantil dos anos 1967/68.
Foi presa em 9 de novembro de 1972, na Parada de Lucas, Rio de Janeiro, em batida policial realizada por uma patrulha do 2º Setor de Vigilância Norte, após rápido tiroteio, em que morreu um policial.
Após correr alguns metros e se esconder em vários lugares, Aurora foi aprisionada, viva, dentro de um ônibus onde havia se refugiado momentos antes.
Foi torturada desde o momento de sua prisão, inclusive na presença de vários populares que se aglomeravam ao redor da cena. Aurora foi conduzida para a Invernada de Olaria. Lá, foi torturada nas mãos dos policiais do DOI/CODI e integrantes do famigerado “Esquadrão da Morte”.
Aurora viveu os mais terríveis momentos nas mãos daqueles carrascos, que além dos já tradicionais pau-de-arara, sessão de choques elétricos, somados a espancamentos, afogamentos, queimaduras, aplicaram-lhe a “coroa de cristo”, ou “torniquete”, que é uma fita de aço que vai gradativamente sendo apertada, esmagando aos poucos o crânio.
No dia 10 de novembro, Aurora morreu em conseqüência dessas torturas. Seu corpo chegou ao IML/RJ como ‘desconhecida’, pela Guia n° 43 da 26ª D.P.
Após prendê-la e torturá-la, jogaram seu corpo crivado de balas na esquina das Ruas Adriano com Magalhães Couto, no Bairro do Méier (RJ). A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança era de que a morte de Aurora seria conseqüência de uma tentativa de fuga, quando era transportada na rádio-patrulha que a prendera. Ao tentar fugir, Aurora teria sido baleada e morta.
A necrópsia feita no IML, em 10 de novembro de 1972, foi firmada pelo Drs. Elias Freitas e Salim Raphael Balassiano e confirma a falsa versão da repressão de morte em tiroteio e assinala “ferimentos penetrantes na cabeça com dilaceração cerebral”, que é dada como a causa mortis. Fotos de perícia de local (n° 6507/72) mostram claramente profundas marcas de torturas no corpo de Aurora: percebe-se o afundamento do crâneo e escoriações nos braços e pernas, nos olhos, nariz e boca, que não são relatadas na necrópsia. Havia próximo ao corpo um VW DH-4734 marcado de tiros, o que completava a encenação.
Em 11 de novembro de 1972, Aurora foi reconhecida no IML/RJ, por seu pai, Mauro Albuquerque Furtado, sendo trasladada para São Paulo. O corpo de Aurora foi entregue à família em caixão lacrado, com ordens expressas para que não fosse aberto. Tal ordem não foi acatada pela família que, com o auxílio de seus advogados, conseguiu novo exame do corpo no IML. O corpo de Aurora, além dos inúmeros sinais das torturas sofridas (queimaduras, cortes profundos, hematomas generalizados), apresentava um afundamento no crânio de cerca de 2 cm, proveniente do uso da “coroa de cristo” e causador de sua morte.
Não há nenhuma referência à sua morte nos relatórios dos três ministérios militares.
Retirado do site do Grupo Tortura Nunca Mais / RJ