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Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).
Filha de José Pereira e Odila Mendes Pereira, nasceu em Areado, Sul de Minas, no dia 6 de abril de 1950.
Desaparecida na Guerrilha do Araguaia aos 24 anos.
Sua família morava na Fazenda da Lagoa, município de Monte Belo, onde seu pai era administrador e, por isso, Áurea Eliza teve que ir, muito cedo, para o internato.
Afetiva e risonha manteve, sempre, um bom relacionamento com a família, durante sua infância e adolescência.
Aluna bastante aplicada, estudou, dos 6 aos 14 anos, no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Areado, onde concluiu o curso ginasial.
Segundo depoimento de uma colega daquele tempo, Áurea Eliza exercia grande liderança no colégio, mantendo ótimas relações com as colegas, participando das atividades escolares, tendo sido brilhante aluna em matemática.
Mudou-se, em 1964, para o Rio de Janeiro para cursar o 2° grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão, morando com sua irmã Iara, com quem tinha laços muito estreitos e afetuosos.
Prestou vestibular, aos 17 anos, para o Instituto de Física da UFRJ, em 1967, onde pretendia estudar Física Nuclear. Por não ter ainda 18 anos, precisou de uma autorização especial de seu pai, para que pudesse fazer aquele curso.
Participou intensamente do movimento estudantil no período de 1967 a 1970, tendo sido membro do Diretório Acadëmico de sua escola, juntamente com Antônio de Pádua Costa e Arildo Valadão, ambos desaparecidos.
Áurea Eliza casou- se com Arildo Valadão no dia 6 de fevereiro de 1970, num cartório do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, na Basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo.
Mudou-se junto com Arildo e Antônio de Pádua para o Araguaia, no segundo semestre de 1970, indo viver na região de Caianos, onde passou a trabalhar como professora e ingressou no destacamento C das Forças GuerriIheiras, cujo comandante era Paulo Mendes Rodrigues.
No Araguaia era conhecida também por Eliza.
O "Cordel da Guerrilha do Araguaia", de autoria de D. Nonato da Rocha assim se referiu a ela:
"Áurea era professora
E decidiu improvisar
Duma tapera, uma escola
Prá criançada estudar
Ela nada cobrava
Ensinava e brincava
Com as crianças do lugar."
No período em que viveu no Rio de Janeiro, Áurea Eliza correspondia-se, regularmente, com seus pais.
Numa época onde o medo e as perseguições eram constantes, seus familiares deixaram de receber notícias.
Consta que Áurea Eliza teria sido presa em Marabá, em 1973, estando desaparecida desde 1974.
Seus pais faleceram sem que nenhuma notícia lhes fosse dada sobre seu paradeiro.
No início do ano de 1974 foi vista viva e em bom estado de saúde, no 23° Batalhão de Infantaria da Selva, pelo preso Amaro Lins que prestou estas declarações no 4° Cartório de Notas de Belém/PA. Amaro relata também que ouviu um policial dizer-lhe que arrumasse suas coisas pois iria viajar. (Viajar – termo utilizado para designar execução)
Segundo depoimento de uma moradora de Xambioá, que não quis se identificar, Áurea foi vista morta na delegacia da cidade e seu corpo estaria enterrado no cemitério local.
Em 1991, familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia estiveram neste cemitério junto com a CJP e a equipe de legistas da UNICAMP. Nesta ocasião foram exumadas duas ossadas, uma de um negro, provavelmente Francisco Manoel Chaves (desaparecido) e outra de uma mulher, jovem, cujo corpo estava enrolado num pano de pára-quedas, com a identificação arrancada, que poderia ser de Áurea ou de Maria Lúcia Petit, também guerrilheira, desaparecida no Araguaia. Essas ossadas permanecem na UNICAMP para identificação.
O Relatório do Ministério da Marinha dá como data da morte de Áurea 13 de junho de 1974, sem mais informações.